Você sabe quais são as diferenças entre a Cannabis Sativa, a Cannabis Indica e a Cannabis Ruderalis?

Nesse artigo além de abordar as principais diferenças entres os 3 tipos de cannabis, você pode conferir os aspectos da botânica, desenvolvimento e das aplicações da planta de maconha.

Cannabis sativa indica ruderalis

Plantas do gênero Cannabis encontram se entre as culturas mais antigas exploradas pela humanidade. Possuindo relatos de seus métodos de cultivo desde a China antiga.

O interesse de nossos ancestrais pela maconha não é mera coincidência do acaso, mas sim, pela versatilidade de usos que a planta de cannabis possui.

Originaria da região do noroeste do planalto Tibetano. Que teve a partir desse local, a espécie humana contribuindo com a dispersão e geração da diversidade de cannabis tal como a conhecemos hoje.

Sendo os tipos cannabis sativa, indica e ruderalis exemplos clássicos e didáticos para se conhecer a variabilidade que nossa amada planta pode ter.

Mas antes de abordar as características de cada tipo maconha vamos dessecar cada uma de suas partes constituintes.

A morfologia da Cannabis

Cannabis sativa indica ruderalis

A cannabis é uma planta herbácea, de ciclo anual, que pode atingir alturas de até 5 metros ou mais após 6 meses de cultivo outdoor (a campo).

Propagada comumente através das sementes, desenvolvendo-se bem sob condições de alta disponibilidade de luz e solos/substratos com boa capacidade de drenagem.

A planta de maconha é influenciada não só pela intensidade de luz, mas também, aos períodos de exposição dessa luz chamado também de influência fotoperiódica.

Uma vez que os dias ficam mais curtos, para o hemisfério sul, período entre o dia 20 de março até o solstício de inverno (21 de julho), isso induz a planta florescer.

Suas flores são polinizadas através da ação do vento. Sendo que cada planta de cannabis, comumente apresenta flores exclusivamente macho ou fêmea, havendo exceções de planta hermafroditas, ou seja, flores masculinas e femininas na mesma planta.

Uma curiosidade interessante é pensar que, o que se entendo muitas vezes como uma flor única de cannabis (os buds) na verdade são um conjunto de varias flores menores, mais precisamente uma inflorescência, a maior topo do caule e outras menores nos ramos secundários.

As flores femininas são responsáveis por produzir maior parte dos constituintes químicos o que inclui os canabinóides e terpenos.

Que são produzidos e secretado por estruturas conhecidas como tricomas (os “pelos”), presentes em toda planta, mas principalmente nas flores femininas.

Mas quando a flor é fertilizada, a planta redireciona seu metabolismo e energia para a produção de sementes, o que consequentemente vai reduzir biossíntese de canabinóides e terpenos.

Os estádios fenológicos da cannabis

Os estádios fenológicos, de qualquer planta seja, baseasse na descrição em etapas do desenvolvimento de uma planta.

Conhecer os estádios da planta de cannabis é uma importante ferramenta para se otimizar a comunicação entres as mais diversas áreas de estudo e aplicação, como: agronomia, melhoramento de plantas, fisiologia, doenças e pragas.

Em consequência disso são geradas informações de maior precisão o que otimiza os manejos de aplicação foliar de macro e micronutrientes e de melhoramento.

Assim como contribui para obtenção de informações relevantes como os períodos em que o crescimento da planta será mais intensivo ou quando haverá a formação das sementes, por exemplo.

Em virtude do que foi dito, pesquisadores da Ucrânia e Lituânia em um estudo de 2017 propõem uma padronização e atualização dos estádios fenológicos da cannabis.

Sendo assim divididos em nove estágios principais de crescimento:

  1. Germinação e brotação;
  2. Desenvolvimento da folha;
  3. Formação de brotos laterais;
  4. Alongamento do caule;
  5. Emergência da inflorescência;
  6. Floração;
  7. Desenvolvimento do fruto;
  8. Amadurecimento do fruto;
  9. Senescência;

Sendo cada um desses momentos apresentam subdivisões com descrições além de ressalvas como a questão de algumas dessas etapas ocorrem simultaneamente.

Mas agora que você já sabe um pouco mais sobre a planta de maconha individualmente e suas etapas de desenvolvimentos.

Agora que tal discutirmos algumas diferenças básicas que podemos comumente encontrar entre as plantas de cannabis.

Os 3 principais tipos de cannabis e suas características

Cannabis Sativa

Cannabis sativa indica ruderalis

As plantas classificadas comumente como Cannabis sativa apresentam as seguindo características morfológicas:

  • Folíolos estreitos;
  • O porte mais alto dos três tipo, podendo chegar até 5 metros;
  • Caule mais grosso;
  • Ramos bem espaçados;
  • Maturação tardia;
  • Apresenta maiores teres de THC do que CBD.

Originalmente esse tipo de maconha foi cultivado para aplicação da industrial de fibra, óleo e ração animal.

Os efeitos de strains caracterizadas mais como sativa são descritos como estimulantes, energéticos e considerados mais psicoativos.

Cannabis Indica

Cannabis sativa indica ruderalis

Já as características morfológicas mais típicas para plantas classificadas como cannabis do tipo indica são:

  • Folíolos mais largos com formas obovadas;
  • Apresenta estatura média dos demais tipos, ficando entre 1 a 2 metros;
  • Arquitetura de planta mais compacta;
  • Ramificação abundante;
  • Maturação precoce;
  • Relação de teores de THC e CBD próximas de 1:1.

Ao contrário do descrito para plantas do tipo sativa, as strains consideradas mais indica apresentam efeitos descritos como calmantes, relaxante e de alívio do estresse.

cannabis sativa indica e ruderalis

Representação esquemática demonstrando as diferenças de tamanho e padrão do folíolo entre cannabis sativa, indica e ruderalis (Adaptado de: Nature, 2015).

Cannabis Ruderalis

Cannabis sativa indica ruderalis

E por fim, a cannabis do tipo ruderalis, caracterizada como uma planta menor com traços mais rústicos próximo a plantas selvagens, pouco domesticada originarias da Rússia Central.

As principais características da cannabis ruderalis, são:

  • Folíolos largos;
  • Plantas com extremamente curtas (0,61 – 1,0 m);
  • Apresenta forte dominância apical e por consequência pouco ramificada;
  • Os teores de THC e CBD são considerados próximos.
  • Floração precoce ou conhecidas também como autoflorescentes (não induzida por ciclos de luz).

Principais aplicações da cannabis

A cannabis é uma cultura com enorme versatilidade de uso nas mais distintas áreas do conhecimento com praticamente todas as partes de planta possível de se aproveitar.

Onde as sementes podem ser utilizadas para a alimentação humana e na formulação de farinhas e rações para animais devido a característica nutricionais e funcionais importantes.

Através de processos de prensa a frio da semente, é obtido seu óleo que pode ser utilizado tanto para a indústrias alimentícia quanto para a de cosméticos.

Do caule, é possível obter fibras inteiras, úteis para a fabricação de papel e têxteis, ou a fibra triturada (shives) utilizadas para foragem de animais e na bioconstrução de materiais com boas características de isolante térmico.

As flores podem ser utilizadas para fins ornamentais ou para a obtenção de produtos de interesse cosmético e fitoterápico. Devido a compostos bioativos como delta-9-tetrahidrocanabinol (THC) e canabidiol (CBD)

cannabis sativa indica e ruderalis
Representação esquemática que demonstra a amplas funcionalidades de cada uma das partes da planta de cannabis sativa (Fonte: Farinon et al. 2020)

E por fim, o sistema radicular da cannabis por altamente desenvolvido, quando se compara a outras plantas herbáceas, é um fator interessante para ações de fitorremediação do solo por metais pesados.

Para qual seja a finalidade é importante ressaltar que vão existir tipos de plantas mais específicos e adequados para cada intuito de produção e utilização.

Essa ampla variabilidade de tipos de maconha, seja para fins medicinais ou recreativos, pode ser facilmente visualiza com as chamadas strains, em uma tradução ampla as cultivares ou quimiotipos.

A cannabis e suas strains

Cannabis sativa indica ruderalis

O debate sobre como se referir e classificar a maconha vem ganhando cada vez mais espaço nos últimos anos. Isso inclui desde seus termos populares, sua classificação botânica, química até os recentes avanços genéticos.

Devido a amplitude de formas de uso da cannabis é comum haver a seleção de variedades especificas para cada um de seus empregos.

Onde a maioria das plantas de maconha que se encontra atualmente são resultados de processos de hibridização entre as subespécies sativa e indica.

Os processos de hibridização podem ser entendidos como algo positivo para a adaptação das cultivares de cannabis cultivadas de modo indoor.

Onde as plantas não foram somente selecionadas por critérios de gosto ou efeitos de cada strains, mas também, por características mais adequadas as condições de cultivos indoor.

Sendo a modalidade de cultivo mais provável de contribuir com o aumento de variabilidade de tipos de maconha. A exemplo disso temos site o Leafly.com, fundado em 2010 e que possui um catalogo com 270 mil tipos de strains junto a informações gerais sobre os possíveis efeitos de cada tipo.

Conclusão

Espero que após a leitura desse artigo, tenha clareado a suas ideias desde os aspectos mais básicos da botânica das nossas queridas plantinhas de cannabis até as principais diferenças dos tipos mais comumente conhecidos.

Mas se você ficou ainda mais curioso sobre as origens de todo esse debate da classificação da maconha, recomendo a leitura desse nosso outro post.

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João dos Anjos

Agrônomo e mestre em ciências com linhas de estudo em recursos genéticos vegetais, defesa de plantas e manejos ecológicos. Tem como objetivo difundir informações relevantes e atualizadas do universo canábico que contribua com a desmistificação da maconha quanto uma planta e com a reconexão de um mundo mais verde.

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